Aceitação: o Primeiro Passo para o Desenvolvimento
30 outubro, 2025
Durante meus anos de trabalho no campo da psicopedagogia e do desenvolvimento humano, pude observar um fator que faz toda a diferença na trajetória escolar de uma criança: a forma como a família reage diante das dificuldades. Quando um diagnóstico chega — seja uma deficiência, um transtorno de aprendizagem, um atraso no desenvolvimento ou mesmo uma dificuldade emocional que interfere na escola — a família vivencia um turbilhão de sentimentos. Negação, medo, culpa, vergonha e ansiedade costumam surgir antes da aceitação. E tudo isso é compreensível: afinal, nenhum pai ou mãe está preparado para lidar com o inesperado. Contudo, a maneira como a família enfrenta esse momento define não apenas o tipo de apoio que a criança receberá, mas também o modo como ela se verá no mundo. Aceitar não é se conformar.
Aceitar é reconhecer a realidade e agir com amor e responsabilidade a partir dela. É entender que cada criança tem seu próprio tempo, suas potencialidades e suas formas de aprender. É olhar para além do diagnóstico — e enxergar o ser humano único que existe ali. Famílias que conseguem acolher cedo essa realidade criam um ambiente emocionalmente seguro. E é nesse ambiente que o aprendizado floresce. Pesquisas em neurociência e psicologia educacional mostram que emoções positivas ampliam a capacidade de atenção, memória e autorregulação, enquanto o medo e a insegurança tendem a bloquear o processo de aprendizagem. Ou seja: quando a criança se sente aceita, compreendida e amada, seu cérebro aprende melhor. Em contrapartida, quando há negação ou resistência, o impacto pode ser profundo. A criança percebe o sofrimento dos pais e, muitas vezes, internaliza a ideia de que há algo “errado” com ela. Isso afeta sua autoestima, sua confiança e sua relação com a escola. Nos casos em que a aceitação é adiada, é comum observarmos: baixa motivação escolar, comportamentos de defesa, dificuldades sociais e maior ansiedade. Tudo isso pode ser evitado — ou amenizado — quando o primeiro passo é dado: aceitar. A aceitação familiar é um verdadeiro ato terapêutico. Ela abre espaço para o diálogo com os profissionais da escola e da saúde, permite a construção de estratégias adequadas e fortalece o vínculo afetivo entre pais e filhos. Quando a criança sente que seus pais acreditam nela, algo muda. Ela se permite tentar, errar, aprender e crescer. O olhar acolhedor dos pais é o primeiro espelho da autoestima. É esse olhar que diz, sem palavras: “Você é capaz, e nós vamos juntos encontrar o caminho.” Aceitar não é desistir — é permitir que o amor seja o ponto de partida. Quando a família compreende que o diagnóstico não limita, mas orienta; quando entende que a dificuldade não define, mas direciona — tudo se torna mais leve.
No Aesir Essenza Institute, acreditamos que o primeiro passo para o desenvolvimento pleno é a aceitação. Com ela, a criança se sente segura para aprender, a escola se torna parceira, e o processo educativo deixa de ser uma luta para se transformar em um caminho de descobertas e conquistas. Aceitar é amar com consciência. Amar é acreditar no potencial de cada criança.
Ana Paula Brito Barros
Psicopedagoga • Aesir Essenza Institute